sábado, 8 de novembro de 2014

A COR DA TERRA

Experiencia do Sensível - Território


Essa atividade foi mui interessante e prazerosa. Tivemos a missão de recolher e guardar dentro de uma caixinha de fósforo um pouco da terra de um local que fosse de algum modo importante para nós e depois compartilhar a historia com a turma. Foi um momento nostalgia, todos contando suas histórias de vidas, alguns com profunda saudades dos bons momentos vividos entre amigos, famílias e lugares, outros com relatos engraçadas (folhas de manga, neto de dono de bordel famoso, moranguinho de Uruçuca...) que nos faziam participantes das lembranças.
A minha terra representou o bairro  onde morei no Pimentas em São Paulo ( infelizmente não pude ir lá para pegar, foi da frente da minha casa mesmo - rs)
Antes de escolher o que iria relatar, recordei de vários amigos de infância que ali deixei ao vir morar na Bahia e de muitas histórias também. Dentre essas,  escolhi uma que me deixa muito emocionada e orgulhosa, e a personagem principal é a minha mãe.


Foto das caixinhas da turma 5

Quando fomos para o bairro, não havia luz elétrica na rua. Era uma situação estranha e que minha mama não se conformava. Vivia pensando no que poderia fazer para resolver o problema. As pessoas Já tinham ido às autoridades competentes e incompetentes, mas não tinham respostas positivas só diferentes desculpas e promessas. A minha mãe também foi ter com eles, e nada. E o que ela fez? Pediu a uma senhora da rua vizinha para compartilhar a energia dela, que aceitou na hora. Chamou os moradores, arrecadou fios e organizou um mutirão para levar energia de uma rua para a outra. Me lembro de muitos homens cavando, quase que dia e noite, as mulheres apoiando, inclusive minha mãe, claro, que chegava do trabalho cansada e ia ajudar no mutirão também.
Quando terminaram e entraram em seus lares e ligaram suas lampadas e eletrodomésticos guardados, foi uma festa. Ia gente todo dia gradecer a minha mãe pela coragem, pelo incetivo e atitude. Para mim foi gratificante ouvir as pessoas elogiando e falando dela.
Desse dia em diante, a minha mãe passou a ser uma representante de lá, ela ajudava pessoas de vários lugares. Algum tempo depois a eletricidade chegou de fato na rua, com postes e tudo mais. E se não me engano, até usaram a fiação antiga - rs.
Hoje, o bairro está totalmente desenvolvido e muito bonito. Fui lá em 2011 e ninguém diz que ali um dia, uma mulher levou a primeira luz da rua.



Eunice é o nome da mulher mais lutadora, guerreira, compartilhadora que conheço. Sempre alegre e contagiando a todos ao seu redor, guardava muitos sentimentos do seu passado que a faziam sofrer, mas nunca deixava transparecer a ninguém. Ela ajudava vizinhos, ora pedindo de porta em porta ora dividindo o que tinha, bêbados e tantos mais que pedissem sua ajuda direta ou indiretamente... até um mendigo ela já resgatou da solidão e marginalidade e o devolveu ao convívio social digno, cuidando dele como a um irmão. 
Adquiriu o mau de Alzheimer e hoje não se recorda de quase nada, esquece até o meu nome e dos meus irmãos. Mas nós não esquecemos de quem ela foi e é. Quem a conheceu enquanto estava 100% consciente sabe do que estou falando. É muito querida por todos. Os erros e acertos da vida, a fez uma mulher grandiosa.
Graças a Deus é saudável e não perdeu a educação, cuidado e a gentileza, só a memória. 

Mãe, te amo!!! Se eu conseguir ser a metade da mulher que você é já serei grata a Deus!!!

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